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14/03/2012

Situações de Casa 02

Situações inusitadas que podem acontecer com qualquer um, em diferentes lugares de uma casa.

Na Porta de Casa
Campanhia toca.
Menina: Já vai...
Menina abre a porta. Menino parado.
Menina: Ah, é você?
Menino: Como é bom ser bem recebido!
Menina: Como você subiu?
Menino: Era aquele porteiro que me conhece e..
Menina pega interfone.
Menina: Alô? Oi, eu queria pedir que vocês avisassem quando qualquer pessoa quiser subir aqui no meu apartamento.Isso aqui não é novela, que qualquer um chega e pode ir entrando.
Menina desliga o interfone.
Menino: Ele não tem culpa.
Menina: Do que?
Menino: Da gente!
Menina: Ah, e quem tem culpa?
Menino: Bem...
Menina (cortando): O que você quer?
Menino: A caixa.
Menina: Que caixa?
Menino: Minhas coisas, você disse que estavam em uma caixa.
Menina: Ah! Tá aqui. Eu vou pegar.
Menino: Posso entrar?
Menina: Não.
Menino: Por favor, seu corredor tá com cheiro ruim!
Menina: É da vizinha.
Menino: A Dona Sônia? Surtou de novo?
Menina: Sim. Ontem a noite ela encontrou meu pai e desejou boa sorte.
Menino: Boa sorte pra quê?
Menina: Não sei. Ela só olhou pra cara dele e disse “boa sorte”.
Menino: E seu pai?
Menina: Agradeceu. O que mais ele faria?
Menino: É verdade. Então, posso entrar?
Menina: Por que?
Menino: O cheiro!
Menina: Ah, não! Segura a respiração que eu volto logo.
Menina sai. Pega a caixa e volta.
Menina: Toma sua caixa.
Menino: Posso abrir?
Menina: Por quê?
Menino: Pra ver se está tudo aqui.
Menina: Eu não tenho porque ficar com as suas coisas.
Menino: Posso?
Menina: Se você agüentar o cheiro do corredor.
Menino abre a caixa.
Menino: Nossa, eu nem precisaria mais desses CDs, já baixei todas essas músicas.
Menina: Tá, então pode deixar comigo.
Menino: Não, pensando bem eu quero os encartes.
Menina: Então leva.
Menino: Essa camiseta é sua.
Menina: Mas você usava pra dormir. Pode levar.
Menino: Não quero. É sua.
Menina: Leva! Eu não vou fazer nada com ela!
Abre a porta da vizinha.
Menino: Olá, dona Sônia.
Vizinha: Olá...Feliz Natal.
Menino: Estamos em maio.
Vizinha: Que?
Menina: Feliz Natal!!!
Menino: Toma,  dona Sônia, fica com essa camiseta como presente de Natal.
Vizinha: Obrigada. Tchau!
Vizinha pega a camiseta e entra em sua casa.
Menina: Por que você fez isso?
Menino: Por que você disse que era Natal?
Menina: Porque era mais fácil!
Menino: Então, eu dei a camiseta pra ela porque era mais fácil. Você não queria e eu também não.
Menina: Então tudo o que a gente não quiser vamos dar pra louca?
Menino: Não fale assim dela.
Menina: Você chamava ela assim o tempo todo.
Menino: Mas ela não era minha vizinha. Você deveria aprender a respeitar seus vizinhos.
Menina: Já conferiu a caixa?
Menino: Pera, eu to com uma lista das coisas que são minhas.
Menina: Posso fechar a porta enquanto você confere? Se tiver algo faltando, você toca a campanhia.
Menino: Não, espera!...Eu to com sede.
Menina: Você deixou algum copo com água aqui em casa?
Menino: Não..
Menina: Então vai continuar com sede.
Menino: Pera! Eu te dei uma caneca.
Menina: Você quer aquela caneca de volta?
Menino: Ué, eu comprei, com meu dinheiro.
Menina: Mas você me deu!
Menino: Com a condição de que você fosse minha namorada.
Menina: Mas você nunca disse isso!
Menino: Mas está implícito. Por que eu te daria alguma coisa que você poderia usar quando não estivesse mais comigo? Não faz sentido.
Menina: Mas...tá, eu vou pegar a caneca rosa.
Menino: Pode por água dentro?
Menina: Não. Você nunca me deu água de presente!
Menino: Na verdade, eu já comprei garrafinha de água pra você, algumas vezes.
Menina: Eu não acredito!
Menino: Não, eu to brincando. Não precisa me dar aquela água.
Menina: Que susto...
Menino: Pode me dar água do filtro mesmo.
Menina: Mas...
Menino: Espera. Tem mais algumas coisas da lista. Posso falar.
Menina (atônita): Fala...
Menino: uma camiseta branca, seu mural de fotos, um urso de pelúcia branco, um coelho de pelúcia, pantufas, uma par de meias coloridas, um esmalte rosa, o DVD da Amelie..
Menina: Você nem gosta desse filme.
Menino: Mas é meu...
Menina: Isso é ridículo. E as coisas que eu te dei? Cadê?
Menino: Tão aqui, nessa sacola.
Menina olha a sacola.
Menina: Que nojo! O que é isso?
Menino: O peixinho que você me deu.
Menina: Mas ele morreu.
Menino: Mas é seu.
Menina: Mas faz dois anos que ele morreu!
Menino: Você pode enterrá-lo, se quiser.
Menina: Isso é nojento!!!
Menino: Se não quiser ficar com ele, podemos dar pra dona Sônia.
Menina: Você é louco! Sai daqui agora.
Menino: Você manda os restos das minhas coisas lá pra casa?
Menina: Eu...eu...tá, eu mando. Falta mais alguma coisa?
Menino: 36 rosas vermelhas e 3 ovos de páscoa.
Menina: Como?
Menino: Sim, passamos 3 páscoa juntos. Eu te dei 3 ovos. Tamanho 20. Um ano foi Sonho de Valsa, o outro foi Diamante Negro e o outro foi Diamante Negro e Laka.
Menina: Mas eu comi!
Menino: Tudo bem...em abril você compra e manda pra mim.
Menina: Você não pode estar falando sério!
Menino: Por que não?
Menina: Porque....você não percebe o quanto absurdo é isso?
Menino: Você nunca terminou um namoro antes, né?
Menina: NEM VOCÊ!
Menino: É, mas eu sempre soube como agir em situações assim. Bom, você manda essas coisas?
Menina (irônica): Ah, sim. Claro.
Menino: Vou indo.
Menina: Tá, tchau.
Menino: Ah, Amanda?
Menina: Oi?
Menino: Esse seu chaveiro que você tá usando... também fui eu quem deu. Não esquece de mandar, tá? Tchau.
Menino sai. Menina bate a porta.

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